A UNECS (União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços) promove, nesta terça-feira, 18, em Brasília, mais uma edição do “Encontro com os Presidenciáveis – Diálogos pelo Futuro do Brasil”. Realizado no Royal Tulip Brasília, o evento reúne lideranças da ABAD e de outras entidades que representam o setor de comércio e serviços.
A iniciativa conta com a participação de candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República. Na abertura, Leonardo Miguel Severini, presidente da UNECS, afirmou que o Brasil vive um momento decisivo.
“Independentemente da proposta, todos queremos um Brasil mais próspero. Estamos aqui para construir pontes e acreditamos que o diálogo é o melhor caminho para a democracia”, destacou.
Em seguida, Augusto Cury participou da dinâmica de perguntas. Os temas, previamente definidos pelos associados da UNECS, foram sorteados por meio de uma urna pela assessoria do candidato, que respondeu aos questionamentos relacionados às demandas do setor.
Reforma Tributária
Ao abordar a Reforma Tributária, Augusto Cury afirmou que o tema ainda não é compreendido pela população e defendeu mudanças no texto.
“Eu tenho conversado com grandes contadores, inclusive com grandes empresas. Nem eles entendem, não sabem qual será exatamente a formação dos preços e como será o recolhimento das empresas”, destacou o candidato. Segundo Cury, pequenas e médias empresas poderão ser afetadas pelas novas regras.
Apostas online e impactos na economia
Sobre o crescimento das plataformas de apostas online, Cury classificou as bets como um “câncer para o Brasil”.
“Hoje, R$30 milhões são direcionados para as bets. Esse valor poderia estar sendo revertido para o setor de comércio e serviços”, afirmou. O candidato defendeu a regulamentação das apostas e o aumento da tributação sobre o segmento.
Custo de vida, inflação e segurança alimentar
Ao tratar de programas sociais, Cury afirmou que o atual modelo do Bolsa Família pode desestimular a formalização do trabalhador e a abertura de pequenos negócios.
“Do jeito que o projeto foi desenhado, o indivíduo vive com medo do futuro. Pois assim que ele assina a carteira de trabalho ou abre o MEI, já é desclassificado do programa”, declarou.
O candidato também classificou o modelo atual como um ciclo de perpetuação da pobreza e defendeu mudanças que estimulem uma maior distribuição da atividade econômica pelo país.
Segurança jurídica e equilíbrio institucional
Sobre o ambiente de negócios, a atuação dos Poderes e a estabilidade institucional, Cury defendeu a independência e a harmonia entre Executivo, Legislativo e Judiciário.
“Os três Poderes têm de viver em harmonia. O STF tem sido um superpoder. Tenham certeza, eu provocarei o Congresso Nacional”, afirmou.
O candidato também declarou que Brasília teria se transformado em uma “guerra de egos” e em um “manicômio”. Em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF), Cury defendeu mudanças na composição da Corte. Segundo ele, dois terços dos ministros deveriam ser formados por integrantes de carreira e o presidente da República não deveria ter a prerrogativa de indicar os ministros.
Ao final do debate, o candidato recebeu o “Manifesto do Setor de Comércio e Serviços – Uma Agenda Estratégica para o Brasil 2027–2030”, documento que reúne a visão e as prioridades do setor para o fortalecimento da economia brasileira.
O material é resultado de uma construção conjunta das entidades que integram a UNECS e apresenta propostas para orientar o debate sobre temas estruturantes, reafirmando a disposição do setor em contribuir tecnicamente para a formulação de políticas públicas voltadas à competitividade, à inovação, à geração de empregos e ao desenvolvimento sustentável do país.












