No início da tarde, a programação do “Encontro com os Presidenciáveis – Diálogos pelo Futuro do Brasil” seguiu com a participação de Alfredo Gaspar, vice-candidato da chapa, e do senador Rogério Marinho, coordenador-geral da campanha. Ambos representaram o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que não compareceu ao evento em razão de mudanças na agenda.
Os temas do diálogo foram previamente definidos pelos associados da UNECS (União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços), com foco nas principais demandas do setor de comércio e serviços.
Visão de país e desenvolvimento econômico
Alfredo Gaspar afirmou que, caso a chapa seja eleita, entre as prioridades estará a revisão da Reforma Tributária, a redução dos gastos públicos e a valorização do setor de comércio e serviços, que, segundo ele, representa cerca de 70% do PIB brasileiro.
“Nós vamos meter a tesoura nos gastos públicos desnecessários. Começando pela quantidade de ministérios, que no mundo não tem nada comparado. Flávio irá imitar o governo de Jair Bolsonaro na extinção de 20 mil cargos comissionados”, afirmou Gaspar.
O representante da chapa também criticou o que classificou como uma máquina pública “inchada, pesada, arcaica e burocrática”. Ele citou a dívida pública brasileira, estimada por ele em R$10 trilhões, e afirmou que o país precisa mudar a condução da política econômica.
Rogério Marinho, por sua vez, destacou a expectativa de ampliação da bancada do partido no Senado e afirmou que a eleição de Flávio Bolsonaro dependerá também da formação de uma base parlamentar capaz de sustentar as propostas do governo. Segundo Marinho, a meta da candidatura é promover mudanças no país nas áreas de segurança e bem-estar.
Segurança pública, infraestrutura e cadeia de abastecimento
Ao abordar a segurança pública, Alfredo Gaspar criticou a atuação do governo federal e afirmou que o país não possui um plano adequado para o enfrentamento ao crime organizado.
Segundo ele, a atuação das organizações criminosas também afeta a infraestrutura e o ambiente de negócios, com impactos sobre empresários e produtores.
“Durante esses 4 anos, o governo atual foi contra o processo legislativo que endurece a pena e o processo de segurança do país. Atualmente estamos com 50 milhões de brasileiros em território dominado pelo crime organizado e o presidente atual está brigando com as repúblicas democráticas do mundo para não caracterizar o PCC e o Comando Vermelho como terroristas”, afirmou.
Gaspar declarou ainda que, caso a chapa seja eleita, Flávio Bolsonaro pretende decretar, a partir de 5 de janeiro de 2027, uma guerra contra o crime organizado.
Regulamentação da Reforma Tributária
Questionado sobre como a eventual gestão pretende conduzir a regulamentação da Reforma Tributária de forma a garantir segurança jurídica e competitividade sem aumento da carga tributária para o comércio e serviços, Rogério Marinho afirmou que a proposta não é interromper a reforma, mas promover ajustes.
“Não é para paralisar a reforma, é acabar a reforma. A reforma é necessária, mas para corrigir suas distorções. Vamos passar esses três meses debruçados sobre esse processo para apresentarmos as correções necessárias, para termos um recorte tributário que, de fato, seja justo para o país e permita que quem empreende e trabalha possa continuar ficando na nação”, afirmou.
Marinho também destacou a importância da composição do Congresso Nacional para a implementação das propostas apresentadas pela candidatura.
“Quem vai ganhar a eleição e tiver maioria parlamentar para fazer as coisas acontecerem vai mudar esse Brasil”, declarou.
Segurança jurídica e equilíbrio institucional
Ao tratar da segurança jurídica, os representantes da chapa defenderam a criação de critérios para garantir maior estabilidade institucional e previsibilidade para investidores e empresas.
“No plano de governo nós vamos estabelecer critérios para essa estabilidade. Não dá para ficar com o Estado. As pessoas deixam o investimento no país e hoje estão fugindo com as empresas para o Paraguai”, afirmou.
Marinho também criticou a instabilidade das regras e afirmou que a falta de segurança jurídica tem afastado investimentos do Brasil.
Os representantes da chapa ainda fizeram críticas ao Poder Judiciário e defenderam maior equilíbrio entre os Poderes. Segundo Marinho, decisões individuais de ministros não deveriam interferir de forma unilateral em processos legislativos.
Ao final, Alfredo Gaspar afirmou que um eventual governo de Flávio Bolsonaro pretende manter diálogo aberto com o setor produtivo.
“O governo não vai ser inimigo dos senhores. O governo vai ser uma porta aberta para o desenvolvimento do Brasil”, afirmou Gaspar.















