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FCS e UNECS debatem impactos da jornada 6×1 no setor de turismo e serviços

FCS e UNECS debatem impactos da jornada 6×1 no setor de turismo e serviços

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Os impactos da proposta de mudança da jornada de trabalho 6×1, com foco especial no setor de turismo e hospedagem, foi o tema da reunião-almoço da Frente Parlamentar de Comércio e Serviços (FCS) promovida nesta quarta-feira, 29. O encontro reuniu parlamentares e representantes do setor produtivo para debater os reflexos econômicos e trabalhistas da medida.

O convidado especial foi Orlando Souza, presidente executivo do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), que apresentou dados sobre os efeitos da proposta no segmento de hotelaria, bares e restaurantes. Segundo ele, a mudança na escala de trabalho teria forte impacto sobre o setor de hospedagem.

“Mais de 90% já trabalham numa escala além das 40 horas, então eles serão totalmente afetados. Em restaurantes, serão afetados 92%”, afirmou.

Orlando destacou que a discussão exige responsabilidade e planejamento, especialmente diante do peso do turismo e dos serviços na economia nacional. Segundo ele, seis estudos analisados apontaram efeito nulo na geração de empregos com a mudança da escala, sem evidências de impacto positivo na empregabilidade.

“Uma coisa é fazer a mudança, outra é fazer a mudança com o cuidado necessário”, pontuou.

O presidente do FOHB também alertou para possíveis efeitos sobre a formalização no mercado de trabalho e afirmou que cerca de 700 mil brasileiros poderiam perder direitos relacionados ao emprego formal. Ele ainda ressaltou que o setor de turismo já enfrenta aumento da carga tributária após a reforma tributária.

Entre os parlamentares, houve consenso sobre a necessidade de aprofundar o debate e evitar decisões precipitadas. O presidente da FCS na Câmara, deputado Domingos Sávio, defendeu prudência na condução do tema.

“É preciso muita prudência nisso. Foquemos no diálogo e no debate”, declarou.

O deputado Lucas Redecker afirmou que o momento exige clareza sobre os impactos reais da proposta e alertou para possíveis consequências negativas.

“Temos que deixar claro quais são as consequências, porque o tiro pode sair pela culatra”, disse.

Já o deputado Zé Rocha classificou a discussão como inoportuna em ano eleitoral, enquanto o deputado Zé Adriano afirmou que o tema corre o risco de ser tratado sem a sensatez necessária por conta do ambiente político.

O deputado Kim Kataguiri criticou o uso eleitoral da proposta e defendeu que eventuais mudanças sejam debatidas com responsabilidade técnica e política, especialmente por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

Por outro lado, o deputado Zé Neto destacou a importância de apresentar dados concretos no debate e defendeu a redução da jornada para o modelo 5×2, reforçando que a discussão precisa ser feita com transparência e responsabilidade.

A deputada Renata Abreu também ressaltou a necessidade de encontrar uma solução equilibrada que proteja os trabalhadores sem comprometer a economia e sem criar falsas expectativas para a população.

Ao final, os participantes reforçaram a importância de construir uma discussão técnica, transparente e baseada em dados, considerando os impactos sobre trabalhadores, empresas e o desenvolvimento econômico do país.

A FCS segue promovendo debates estratégicos sobre pautas que afetam diretamente o comércio, os serviços e o turismo, buscando soluções que fortaleçam a economia brasileira e garantam segurança para trabalhadores e empregadores.