O setor atacadista distribuidor brasileiro encerrou 2025 com faturamento de R$ 616,6 bilhões, consolidando avanço nominal de 17,27% em relação ao ano anterior. Descontada a inflação medida pelo IPCA, o crescimento real foi de 11%, segundo o Ranking ABAD NielsenIQ 2026 – Ano Base 2025, divulgado pela Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (ABAD) em parceria com a NielsenIQ.
O desempenho ampliou a participação do canal indireto no mercado mercearil brasileiro, que passou de 53,7% para 55,9% em um ano. O levantamento também mostra que o mercado de bens de consumo de alto giro superou pela primeira vez a marca de R$ 1 trilhão, alcançando R$ 1,1 trilhão após expansão de 33,3%.
O presidente da ABAD e da UNECS (União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços), Leonardo Miguel Severini, afirma que os números refletem tanto a ampliação da metodologia do estudo quanto o fortalecimento do setor na cadeia de abastecimento nacional.
“O crescimento da representatividade do canal indireto mostra que o atacado distribuidor exerce uma função primordial no abastecimento do país”, afirma.
A edição deste ano incorporou o sistema Market Track, metodologia adotada pela NielsenIQ para ampliar a cobertura do estudo e incluir com maior precisão canais tradicionais, como bares e mercearias. A mudança elevou o volume de faturamento analisado e tornou a comparação direta com os dados anteriores menos linear.
O levantamento contou com a participação de 768 empresas, responsáveis por R$ 302,5 bilhões em faturamento, equivalente a 49% do total do setor. A base analisada alcançou mais de 1,18 milhão de pontos de venda em todo o país.
Apesar do cenário econômico marcado por juros elevados, inadimplência e desaceleração do consumo das famílias, o setor mantém perspectivas positivas para 2026. As empresas projetam crescimento no quadro de funcionários, expansão da carteira de clientes e aumento dos investimentos em tecnologia, especialmente em sistemas de gestão, e-commerce e marketplace.
Segundo o diretor de Varejo da NielsenIQ, Domenico Tremaroli Filho, a desaceleração do consumo atinge de maneira mais intensa os canais voltados às famílias de menor renda.
“Um dos principais reflexos é a redução do número de itens no carrinho de compras”, afirma.
O estudo também aponta mudanças no comportamento do consumidor. Em 2025, os brasileiros destinaram cerca de R$ 360 bilhões para jogos e apostas, com participação regular declarada por 26% dos lares brasileiros, percentual que dobrou em relação a 2024. O movimento tem impactado diretamente categorias ligadas à alimentação e itens básicos de consumo.
Distribuidores lideram fora do autosserviço
Entre os modelos de negócio, o atacado generalista de autosserviço segue liderando em participação no faturamento total do setor, com 36,7%, seguido pelo distribuidor com entrega, responsável por 31,3%.
Já os modelos que mais cresceram proporcionalmente em 2025 foram o atacado generalista com entrega e o agente de serviços, com altas de 8,3% e 9,2%, respectivamente.
Quando desconsiderados os números do Atacadão, os distribuidores com entrega passam a liderar o canal indireto, concentrando 44,5% do faturamento.
Nos canais de vendas, as lojas físicas responderam por 38% das receitas do setor, ultrapassando os representantes comerciais, que lideravam em 2024. Nos modelos com entrega, porém, representantes ainda concentram quase 40% do faturamento.
Setor abastece pequeno varejo e bares
A pesquisa reforça o peso do atacado distribuidor no abastecimento nacional, especialmente entre pequenos comerciantes. Segundo o levantamento, o setor responde por:
• 68% das vendas do pequeno e super pequeno varejo;
• 95% do varejo tradicional;
• 85% do abastecimento de bares;
• 45% das vendas para hotéis, restaurantes e cafeterias;
• 45% do segmento de farmácias e cosméticos.
Atualmente, o setor atende mais de um milhão de pontos de venda nos 5.570 municípios brasileiros.
Operação regionalizada concentra faturamento
A maior parte das empresas do setor atua de forma regionalizada. Mais da metade dos respondentes opera em apenas um estado, embora represente 17,5% do faturamento total.
Na outra ponta, apenas 2,9% das empresas possuem atuação nacional, mas concentram 37% das receitas do setor.
Em volume financeiro, São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina concentram juntos 52,3% do faturamento total do atacado distribuidor brasileiro.
Regionalmente, o Nordeste lidera em faturamento em modelos como atacado de balcão, distribuidor com entrega e autosserviço, enquanto a Região Sul se destaca no modelo de agente de serviços.
Ranking das maiores empresas
O levantamento mantém o Atacadão na liderança nacional, com faturamento de R$ 89,9 bilhões em 2025. Na sequência aparecem Grupo Martins, Atacadão Dia a Dia, Tambasa Atacadistas e Comercial Zaffari.
Também figuram entre as dez maiores empresas do ranking Atakadão Atakarejo, Delly’s Food Service, DecMinas, Grupo Bravéo e JC Distribuição.









